A Espiritualidade Deformada da Teologia do Coaching

Texto: Pedro Pamplona | Foto: Cotton Bro


O alvo e alimento da espiritualidade cristã é a glória de Deus. Fomo criados à imagem de Deus (Gn 1:26-27) para espelhar a glória de Deus na criação (Is 43:7). É por isso que Paulo nos chama a fazer tudo, até as pequenas coisas cotidianas da vida como comer e beber, para a glória de Deus (1 Co 10:31).


Em outras palavras, nossa espiritualidade guia um modo de vida que busca engrandecer a Deus em tudo. As disciplinas espirituais servem para centralizar o Senhor em nossas vidas, para calibrar nossos corações a Ele e para ajustar nossa cosmovisão a partir dEle.


Como criaturas de Deus encontramos significado e satisfação somente quando Ele é o centro de tudo. É isso que John Piper quer dizer quando repete várias vezes “Deus é mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos nele”.

Para calibrar nossos corações a Ele e para ajustar a nossa cosmovisão a partir dele.

Quando nos colocamos no centro


É justamente nesse aspecto central da espiritualidade cristã que a teologia do coaching toca. Em vez de oferecer um Deus centrado em si mesmo e que busca em tudo Sua própria glória como Criador soberano e todo poderoso, essa teologia oferece um Deus que possui um ponto fraco, nós.


Um Deus que centraliza outro além de si mesmo, nós. Um Deus que pode ter seus planos apagados por outros, nós. Um Deus, às vezes, igualado em valor com uma de suas criaturas, nós. No centro da espiritualidade do coaching não está o Deus trino, nós estamos! Na busca por cura das emoções, tratamento da alma e bênçãos materiais, esses pregadores têm oferecido o veneno que nos afasta de Deus: egocentrismo.


No centro da espiritualidade do coaching não está o Deus trino, nós estamos!

James Smith diz que "somos aquilo que amamos". G. K. Beale diz que "nos tornamos aquilo que adoramos". É por isso que a espiritualidade cristã centraliza o Senhor como alvo principal dos nossos afetos e culto. Assim somos transformados à sua imagem. Mas quando o alvo de nossos afetos e culto somos nós mesmos, então somos transformados à nossa própria imagem. E que imagem é essa? Pecado e egoísmo.


Quanto mais escutamos a teologia do coaching mais longe de Deus estamos

Quanto mais escutamos a teologia do coaching mais longe de Deus estamos, mesmo pensando estar perto. Esse é o grande perigo. Somos enganados e trapaceados pela cegueira do nosso próprio ego alimentado por esses púlpitos antropocêntricos.


Cuidado.



Pedro Pamplona é cristão, casado com Laryssa, pai do Davi e da Ester. É pastor na Igreja Batista Filadélfia em Fortaleza - CE. Serve no canal Dois Dedos de Teologia, dá dicas de livros no Review: Clube Literário e leciona no Instituto Schaeffer.