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O Outro Evangelho

Texto por: Yuri Pena


Fotografia: Kenny Eliason


A história da Igreja Cristã é muito rica. Passa por concílios, perseguições, disputas políticas, sangue derramado e muitas divisões. Divisões essas que acabaram acontecendo principalmente por divergências de interpretações da própria Bíblia. A Reforma Protestante é o maior exemplo de cisma da Igreja que nasceu justamente por conta disso. Há quem enxergue apenas o lado bom da Reforma – e na balança é claro que existem muito mais benefícios do que prejuízos –, mas todos os eventos, assim como uma moeda, têm dois lados.


Lutero, ao traduzir a Bíblia para o alemão, tinha a melhor das intenções: disponibilizar a Verdade que liberta e abrir as portas para a Bíblia para todas as línguas. Enfim, voltemos às duas faces da moeda. Por um lado, experimentamos hoje a bênção de ter a Bíblia em nossas mãos, poder lê-la diariamente e desfrutar dos ensinamentos de Deus.


Por outro, existem inúmeras interpretações dos mais variados textos bíblicos. E você conhece o retrato atual: um cristianismo protestante tão, mas tão diverso, que é impossível contar o número de denominações existentes.


O grande problema é que nem toda igreja confessa a mesma fé ou interpretação. Ao longo da história, todos os movimentos que apresentaram disparidades grandes com o Evangelho apresentado pelos apóstolos foram considerados seitas. Uma seita normalmente é formada por um grupo de pessoas que seguem um pensamento que diverge daquilo que é convencionado como certo e seguido pela maioria.


Nós, evangélicos, concordamos com grande parte do que podemos chamar de bases da fé cristã. Toda igreja que destoa dessas verdades fundamentais é considerada uma seita. Mas na prática, o que importa é se você sabe identificar esses grupos. No que eles creem? O que nos diferencia deles? Embora as características das seitas sejam muitas, quero que você se atente a apenas cinco delas.


1. Outra fonte de autoridade além da Bíblia


As seitas compartilham essa característica fundamental: elas creem na Bíblia e em algo mais.


A Bíblia é colocada ao lado de revelações humanas e outros escritos, que por sua vez também são considerados inspirados. Muitas vezes a palavra do líder humano é colocada em pé de igualdade com a Palavra de Deus ou até em posição superior. Isso é negar a autoridade e suficiência única das Escrituras Sagradas.


Não há nada e nem ninguém que seja capaz de destronar a revelação final de Deus (Salmo 19.7-14). Nossa única fonte de autoridade é a Palavra de Deus. É ela quem nos guia e aponta o caminho para a salvação.


Fotografia: Josh Applegate

Nossa regra de fé e prática veio diretamente da mente de um Deus perfeito e não de homens falhos e pecadores.

2. Dão a glória de Cristo a homens


Embora falem bem de Jesus, se parecem mais com admiradores do que discípulos. Ele não é considerado totalmente homem e totalmente Deus, muitos menos o único salvador da humanidade.


No documentário Pray and Obey (disponível na Netflix) vemos um grupo religioso crendo cegamente que seu líder – humano – é o salvador de suas almas. Elas creem tão profundamente nessa mentira que se colocam em situações que, aos nossos olhos, são absurdas. A diferença é que eles as enxergam como atos de fé e redenção.


Em tudo isso Cristo é deixado de lado e esquecido. É adoração idólatra a homens ou a qualquer outra coisa. Nada diferente do que já acontecia na época de Judas Tadeu, irmão e apóstolo de Jesus (Judas 1.4).


3. A salvação é alcançada pelas obras


O homem é intrinsicamente bom e capaz de, por si mesmo, fazer o que é preciso para salvar a sua alma. Essa é a declaração de fé de uma comunidade que não crê que Jesus é quem salva os pecadores.


A Bíblia toda deixa claro – para não falar transparente – que é Deus quem procura a humanidade. Paulo descreve a situação humana em Romanos 1.29-31 e essa é a prova cabal de que é impossível uma humanidade caída e pecadora buscar a Deus por livre e espontânea vontade. Éramos escravos do pecado (Romanos 6.16). Mortos em nossos delitos (Efésios 2.1). Uma geração sem esperança.


Mas Deus, em sua infinita graça e bondade, preparou Jesus antes da fundação do mundo para que morresse em nosso lugar, pagando o preço pelo nosso pecado.


Um Deus que elege, chama, justifica e glorifica. É esse o Deus cristão. Essa é a grandiosidade de um Deus que tem a humanidade como inimiga, mas providencia salvação para alguns – demonstrando justiça e amor.


Dá para notar o abismo entre as crenças e como isso muda os rumos da vida prática de cada um?


4. A salvação pertence somente a eles


É comum ao identificar seitas perceber que a salvação é tida como exclusiva daquele grupo particular. Deus não salva ninguém que se comporte diferente, se vista diferente, guarde um dia diferente ou não faça parte do que aquela comunidade decretou como modelo final para seus membros.


Os cristãos entenderam que a salvação não pertence a um grupo, raça ou modelo comportamental específicos. Ela pertence ao Senhor (Jonas 2.9) e somente a Ele. Paulo ensina, a uma igreja composta de judeus e gentios, que a fé em Cristo é o que nos une como irmãos. Não há mais distinção entre as pessoas. Todos os salvos são um em Cristo (Gálatas 3.23-28).


No fim de todos os tempos adoraremos a Deus com irmãos de diversas denominações, países, línguas, povos, cores e culturas – é isso que o Evangelho nos ensina (Apocalipse 7.9).


5. Enganam com falsas profecias


Você se lembra de algum grupo religioso que já profetizou algo que nunca aconteceu na data prevista? As seitas costumam fazer isso como instrumento de controle. Colocam data no fim do mundo, na volta de Cristo e em eventos históricos impossíveis de prever.


Pessoas vendem seus bens, entregam tudo aos líderes locais, mudam de cidade e acabam sem nada. Assista o documentário que mencionei anteriormente para ver como funciona na prática uma falsa profecia.


Apenas Deus conhece o futuro e quando todas as profecias se cumprirão. A condenação de Deus sobre quem pratica tais coisas é muito pesada (Ezequiel 13.7,8 | ver também Mateus 24.23-25). As seitas creem em outro evangelho.


Outro evangelho não salva. Apenas O Evangelho é capaz de salvar.

É preciso conhecer profundamente nossa fé para que não caiamos nos mesmos erros. Não há salvação para quem está fora de Jesus Cristo – essa é a declaração bíblica. Que sejamos encontrados como servos bons e que permaneceram fiéis em igrejas fiéis.


Que nossa oração seja: Pai, livra os seus do engano e da mentira dos falsos mestres. Tira-os das garras do diabo e traga-os à luz, assim como um dia fizeste conosco. Amém.



 

Yuri Pena é formado em Engenharia Química e pós-graduado em Teologia. É professor de teologia e presbítero na Igreja Presbiterana do Brasil em Poços de Caldas, MG.




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