Modéstia, Estilo e Diversidade

Texto: Gabriela Bevenuto | Foto: Heather Ford


Quando descobri que minha fé tocava aquilo que eu vestia, logo comecei a usar saias midi floridas e uns vestidos mais comportados que talvez não ficassem tão bem em mim; mas para a Gabriela de uns anos atrás, modéstia e feminilidade se expressavam através desse modelo (minha pasta no Pinterest dessa época está lá para provar), então eu mudei radicalmente meu armário.


Foi um processo muito proveitoso. Eu precisava aprender que Deus estava preocupado sim com aquilo que eu vestia. A ideia de que Deus vê o coração humano não implica que Ele vê apenas o coração. A verdade é que, ao olhar para o meu armário, eu tirava os óculos da fé, e o que eu não sabia àquela época, é que se nós deixarmos de enxergar alguma área da vida com as lentes da Palavra, certamente aparecerão outras lentes distorcendo a nossa visão, trazendo cegueira ao invés de clareza.

Não existe território neutro. Nem no guarda-roupa.

A modéstia de molde único


Ao começar essa jornada, passei a acreditar que agradar a Deus com o que eu vestia era algo limitante, engessado e que frequentemente vinha em um molde único: flores, babados, pérolas, e por aí vai. De lá pra cá, tenho aprendido bastante sobre beleza, criatividade e sobre como Deus é a fonte de tudo isso. Mas tenho aprendido também sobre diversidade: Deus criou uma imensidão de cores, formas, texturas e maneiras de misturar todas essas coisas.

Tenho compreendido que o meu exterior comunica o que carrego internamente, desde a obediência a Deus ao me vestir com modéstia, até aos elementos da personalidade que Ele me deu.

Uma das ferramentas que me ajudaram nesse processo foi o estudo dos sete estilos universais. Aquele que eu tentei usar (estava mais para copiar) no início se encaixa no estilo romântico. De fato, muitas mulheres cristãs se identificam com ele, mas este estilo é apenas um entre muitos.


Entender o que cada estilo comunica tem sido um exercício de autoconhecimento. O conteúdo produzido pela Norma Braga em seu Instagram e em seu site, Teologia e Beleza, tem sido valioso nesse processo. Hoje, vejo que me identifico principalmente com os estilos casual e criativo. As flores deram lugar às listras, os babados, às calças confortáveis, mas o princípio continua o mesmo.

Saber que posso agradar a Deus comunicando elementos da minha personalidade em cada detalhe do que visto tem sido divertido e maravilhoso!

Mas a moda não é fútil?


Por vezes a moda tem sido encarada como algo fútil, mas olhar para essa esfera da vida com as lentes do Evangelho me levou a reforçar uma verdade aprendida no caminho: Deus é Senhor de todas as coisas. Isso implica que pensar no que visto tem valor diante de Deus.


Como bem disse meu amigo Jack, mais conhecido como C. S. Lewis: “Todas as nossas atividades naturais serão aceitas, se forem oferecidas a Deus, mesmo a mais humilde delas; e todas elas, mesmo as mais nobres, serão pecaminosas se não forem dedicadas a Deus”.

Deus de diversidade e beleza


Modéstia não é um assunto exclusivamente feminino, mas sei que as mulheres são especialmente tentadas e pressionadas a caberem no molde da moda evangélica (esse termo duvidoso daria outro texto). Por isso, queria falar especialmente às minhas irmãs: você pode ser modesta e glorificar a Deus do jeitinho que Ele te criou. Isso pode incluir vestidos rodados e floridos, calças de alfaiataria ou jeans e camiseta.


Deus nos dá liberdade e criatividade para mostrarmos a Sua glória de maneira única e particular. E o que nós vestimos pode refletir isso.


Gabriela Bevenuto é estudante de jornalismo e criadora do Coram Deo Clube do Livro. Serve na Igreja Batista Maanaim em Fortaleza - CE