Vocação: Um Chamado Divino

Texto por: Enio Marques | Fotografia: Jeremy Lapak



Você sabia que todas as pessoas são vocacionadas? Sim, todas, inclusive você. E que a pergunta “o que você quer ser quando crescer” é inadequada?


Vocação vem do verbo latino “vocare”, que significa chamar. Vocação é um chamado. Um chamado do Criador.

O computador que você está usando, por exemplo, veio a existir não apenas por vontade e engenhosidade de alguém, mas veio a existir com um propósito definido pelo seu criador. Esse computador antes de vir a existir “materialmente”, existiu “conceitualmente” como uma ideia na mente de alguém. E quando seu criador imaginou esse computador pensou também com que propósito ele viria a existir. A mesma coisa acontece com você e comigo.

Antes de virmos a existir “materialmente”, nós existimos na intenção do nosso Criador. Isso faz da vocação um chamado divino.

Antes de existir a sua escolha de curso para o vestibular, ou onde você vai trabalhar, ou se vai casar ou não, existe o Criador que concebeu você ansiando te usar no propósito que Ele possui para sua vida, planejando um “assim ele será feliz, quando encontrar o propósito de sua existência”. E dessa maneira Ele chama, vocaciona, a cada um de nós.

Você se lembra de como o cowboy Woody, de Toy Story, estava infeliz com a ideia de virar um brinquedo de museu e não um brinquedo de brincar? Isso porque ele foi feito para brincadeira. Ele não foi feito para prateleira. E a mesma coisa acontece conosco.


A nossa realização está absolutamente ligada à possibilidade de nós existirmos em coerência com o propósito pelo qual fomos criados.

Acredito que este seja o primeiro passo para entender vocação: reconhecer que alguém me deu vida e me preserva com vida, que alguém me criou e foi segundo o seu propósito, que eu não sou dono do meu nariz e não quero viver os meus dias por mim mesmo, como se eu tivesse me criado, me imaginado, me inventado...


A partir desse momento, naturalmente eu vou levantar meus olhos e começar a fazer perguntas para o meu Criador. O que é que Ele quer de mim? O que estava em sua mente e em seu coração quando eu passei a existir e o Senhor me deu vida?

O segundo passo é entender que vocação não é uma questão de escolha, mas de discernimento. A vocação é revelada, não escolhida. Por isso a pergunta certa não é “o que você quer ser quando crescer” e sim “quem o Criador quer que você seja quando você crescer?” Por exemplo, se meu computador pudesse escolher negar sua finalidade, “ah eu não quero mais armazenar dados, eu quero bater pregos”. E eu permitisse que ele vivesse segundo a sua vontade e ele passasse a bater pregos. Ora, ele se destruiria. Quem o olhasse deformado talvez nem o reconhecesse mais como um computador.

A mesma coisa acontece conosco. Quando estamos fora do propósito para o qual fomos criados, algumas coisas bem ruins acontecem. Desperdiçamos a nós mesmos quando estamos sendo o que não deveríamos ser e fazendo o que não deveríamos fazer. E quando desperdiçamos o propósito pelo qual fomos criados nós estamos nos machucando e nos ferindo. Nesse processo, passamos a deformar a imagem e semelhança que carregamos do Criador.

Terceiro passo: a vocação é pessoal e intransferível. Esse ditado que diz “ninguém é insubstituível” é mentiroso. Todo mundo é insubstituível. Se você não for quem você deve ser e não fizer o que você deve fazer, ninguém poderá lhe substituir. Aquilo que você deveria ser ficará sem existência e o que você deveria fazer ficará sem ser feito. Porque era pra ter sido você, era para ter sido feito por você.

Exemplo: se eu não amar o meu pai, alguém pode amá-lo no meu lugar, por mim? Não. Para o resto da vida ele vai dizer “meu filho não me amou”. E podemos dizer que a mãe dele o amou, a esposa o amou, os amigos o amaram, que ele é uma pessoa muito amada. Mas meu pai vai dizer “é verdade, muitas pessoas me amaram, mas o meu filho não me amou”.


Quem eu tenho que ser e o que eu tenho que fazer, só eu posso ser e fazer, mais ninguém será e fará.

A vocação é divina, é revelada e é pessoal.

Nosso senso de missão é inerente à vocação. Deixo aqui o incentivo a quem não identificou sua vocação a se sintonizar no Criador e ouvir o seu chamado, pois não há satisfação e realização melhor, do que viver a vida segundo o Seu propósito.


 

Enio Marques é formado em Arquitetura e Urbanismo, trabalha como artista e produtor cultural. Faz parte da Igreja Batista do Bacacheri, em Curitiba, PR.