Páscoa: Eternamente uma Família

Texto: Fabiano Krehnke Fotografia: August de Richelieu


A Páscoa vem de Deus para as famílias. Em toda a narrativa bíblica vemos Deus operar por meio da estrutura familiar — este é o padrão essencial no plano de Deus em toda a história.


Ao meditarmos nos dias da Páscoa, desde a libertação do povo judeu até a formação de uma grande casa espiritual de todas as nações, o núcleo central é a família, a origem da história é uma perfeita família, e o alvo final é a formação de uma nova família de muitos filhos, semelhantes a Jesus, para a glória de Deus, o Pai.


Aqui veremos algumas razões para lembrarmos e nos alegrarmos com nossos pais, filhos, irmãos e parentes de sangue, e discernimos nosso lugar e pertencimento à grande família de Deus em toda a terra.



UM CORDEIRO PARA CADA FAMÍLIA


O texto de Êxodo 12 deixa muito claro que a Páscoa foi ordenada por Deus como uma cerimônia para as famílias. Eles deveriam separar "… um cordeiro para cada família" (Êxodo 12:3). Desde lá até hoje, este é um momento oportuno para juntar os membros do lar, que experimentaram a alegria pelo fim da escravidão e o livramento da morte. No plano de Deus, a base para se experimentar a salvação é a família.


Este é o núcleo central a partir de onde o Senhor deseja projetar Sua bênção para toda a humanidade. E é parte da responsabilidade humana fazer o que for preciso para que a destruição não chegue ao nosso lar. Nós somos chamados a reunir nossa família ao redor do Cordeiro.



O SALVADOR VEIO DE UMA FAMÍLIA


A Divina Trindade é o mais belo modelo para a família humana — uma família perfeita, santa e feliz. Jesus, o Filho, foi enviado por seu Pai, deixando seu lar para trazer à terra um padrão novo de família, onde há unidade na diversidade. Tudo o que é criado vem da pluralidade do Deus trino. Há eterno diálogo, comunhão e mutualidade entre os membros desta família. Cada um dá tudo de si: “a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo” são compartilhadas conosco (2Co 13.14). Certamente temos um desenho e projeto a ser seguido aqui:


Não proclamamos um Deus solitário, antes um que veio da família perfeita para aperfeiçoar a nossa.


JESUS NASCE EM UMA FAMÍLIA


Você já pensou que Jesus poderia ter descido do céu, adulto, encarnado em um homem maduro formado? Mas não, Ele veio como um bebê, nascido de uma mãe, humana, adotado por um pai, natural — Jesus nasceu em uma recém-formada família.


Este é o Evangelho: Jesus não considerou o “ser igual a Deus” como algo para se agarrar, mas escolheu o “ser humano” ao nosso lado” (Fp 2:6-8).


Ele não é um Deus sobre-humano que ficou nos olhando de longe, sem ser parte de nós, mas é Emanuel, conosco em tudo, dentro da história, dentro de casa, no lar, na família.

O Deus humano não só submete-se à realidade imperfeita de uma família da terra, mas toma para sempre seu lugar nos lares onde nasce, inicialmente como um menino, que logo cresce e se robustece até revelar-se (Lucas 1:80) como aquele que mudou para sempre o conceito do que é ser uma família.



VIDA, SOFRIMENTO E MORTE EM FAMÍLIA


Nos seus dias na terra, Jesus sempre aponta para a realidade familiar. Em certa oportunidade, Ele diz que seus irmãos e mãe são aqueles que fazem a vontade do Pai (Lc 12:46).


Ele vive com seus discípulos uma vida de família, nos aspectos mais naturais. Aquele grupo de pessoas tão diferentes também representa um corpo com muitos membros, uma família espiritual, uma Igreja fundamentada na pedra angular — onde tantos solitários podem agora habitar em família (Sl 68:6).


Mesmo em meio às decepções, negações e traições experimentadas na família de discípulos, eles permanecem sendo um por causa de Cristo, e só por meio dele. Continuam vivendo e comendo juntos, até a última ceia, em um lar preparado para eles. Até perto da cruz de Jesus permanece de pé a figura familiar. Sua mãe e sua tia estão lá, vendo o menino Jesus que se tornou homem, servo sofredor, e ainda naquela hora, faz questão de não deixar sua mãe sozinha, mas a conecta há uma continuidade de laços familiares com seu discípulo amado (Jo 19:25-27) — a família de Jesus nunca mais teve fim.



DE FILHO ÚNICO A IRMÃO MAIS VELHO DA FAMÍLIA


Nesse mesmo instante, fomos inseridos na família de Deus. O Senhor não é só nosso criador e Rei, agora é nosso irmão! Deus encarnado, Deus em um corpo, com todas as falhas e feiuras humanas — corações partidos, promessas quebradas, ansiedade, insônia e gripe fizeram parte da vida do nosso irmãos mais velho.


Quando olhamos pra Jesus como alguém que, por vários momentos, foi tão solitário e cansado como nós, conseguimos compreender o quão real foi nossa adoção pelo Pai Eterno, nos inserindo na realidade da Sua própria família.


No calvário, Ele morre como uma semente, que dá origem à maior de todas as árvores genealógicas. Sabe quem mais morreu nesse dia? A morte!

Não há mais separação. Para sempre seremos uma família! Na Sua morte, nosso espírito ganha vida. Cristo, que é um com o Pai, torna-se um com Sua Igreja. Nunca mais seremos apenas corpos mortais. Nunca mais seremos somente uma família isolada. Para sempre, temos um Pai; eternamente, temos um irmão. Isso é tão verdade que agora mesmo, na trindade, há um Deus com corpo humano que venceu a morte, e, para sempre, carrega as marcas que fizeram nascer a Família do Cordeiro!



Fabiano Krehnke é fundador e editor-chefe da Revista CULTIVAR & GUARDAR, juntamente com sua esposa Jaqueline. É bacharel em Teologia, fotógrafo, músico e pastor na Família dos que Creem, em Curitiba - PR.